terça-feira, dezembro 26, 2006

A pior coisa para um artista, eram conversas antes, ou depois de uma apresentação. E bem pior se por ali estivessem esses falsos artistas, sorriso acre - doce e vestidos, tipo artistas marginais, que buscam fama e dinheiro e estarem bem com o publico, com qualquer publico.
Homens e mulheres passeavam agonias em cores cômicas de domingos e eu pressentia que essa seria uma daquelas noites de Baco e de Hitler. Eu teria que combater cada fala cada pensamento e teria que sambar no ringue, senão iria a nocaute naquele desfilar de caras funestas e pesadas e bêbadas.
Eu não mais bebia e teria que ter o absinto, como companheiro vizinho ao lado de meninas passantes, em desesperadas compensações, e só nas lembranças de ousadas caricias, alerta, interrogando tragédias legais: Pedofilia crime capital.
E eu bebia água, obrigado Henry Miller, você me salvou, com sua técnica de se embebedar com água. Eu bebi dois litros antes do debate e podia sentir minhas narinas entraves cansarem sorrisos, enquanto as flores cansavam jardins.
E aí a luta começou: Eu fui duro: E dei de esquerda; De direita; Dei nos rins; E no estomago. No fim eles desistiram, e como se fossem donos da noite, os artistas de boutique encerraram o debate, numa fuga desenfreada e agonizante, para um confortante encontro de comadres, com palavras cuspidas a contra gosto no ritual de educados rapazes e moças. Vendilhões de almas e perdidos nas prostituições sistêmicas e aceitas.
Homens e mulheres sorriam ódios e fumaças escapavam de suas latrinas. Água e mais água suspiravam meus encontros, e então a melhor parte apareceu: Uma mulher: Sensacional fez o resumo da peleja com uma maestria e sensualidade que me provocou ondas por todo o meu corpo, ela me deu um longo e apertado abraço e me agradeceu por aquela noite: Valera a pena.
Meus amigos L.F. e N.M.F. que dera bons golpes e usara muito bem as pernas, também eram sorrisos, e sorrisos para ela, a fêmea da noite, que nos dera a garantia da vitória. Vitória? Sairmos dali com uma sensação de estarmos vivos. E um bar era o nosso objetivo imediato. E nos largados momentos de charutos e entregas, as conversas resumiam egoísmos e grandezas escapavam de nossas veias e o rio corria mansamente em nossa direção.
Crianças verdes nos sorriam distancias e a poesia martelava nossos desejos e ela ocupava pensamentos, e cheiros emanavam em uma cachoeira cativante e serena. A noite foi de Baco.
Ronaldo braga

Um comentário:

Anônimo disse...

Bacodionísiobaal martelando minha cabeça com vinho moído de velhas tarântulas acesas em minhas insônias sinistras............