quinta-feira, dezembro 21, 2006

cara de escorpião

20 paus era tudo o que eu tinha no bolso. fui a um sebo e ataquei o vendedor de primeira. ator e método de eugênio kusnet? não,não temos. aí um cara que eu fingi que não vira na entrada. e aí cara como vai! me deixa, disse eu, não gosto de canalhas fidalgos, puxa saco de político, defensor de corrupto. eu gosto de você. não falo com falso cara de escorpião. você é injusto, eu lhe tratei muito bem quando nos conhecemos. o cara fizera parte do movimento poetas da praça em 1979 e eu também. o medíocre movimento acabara. o cara dera entrevista para jornais e esquecera de citar o meu nome na relação de poetas. os merdas me esqueceram, eu fiquei feliz. eu sou o mesmo, eu gosto de você. aí eu perdi a paciência e já com o diabo na mente retruquei. aqui eu não parto a tua cara, mas lá fora eu posso conversar. o dono do sebo me olhou como dizendo quebra a cara dele. eu não brigo,sou poeta. então eu senti um nojo danado daquele falso poeta cara de jesus e olhei em frente e vi notas de um velho safado, era novo. o velho buk. respondi irado e determinado. me deixa em paz senão eu vou te dar uma surra. o cara rapidamente foi para a sua mesa e eu para o vendedor. quanto custa.18 paus. o onibus 2 paus. comprei e aí me lembrei que eu estava esperando uma jovem gostosa atriz. ela teria que pagar os cafés, eu não bebia mais álcool. de primeira li a primeira página era sobre um jogo de cartas e terminava com o buk levando uma tremenda surra e acordando vomitado e de ressaca. eu quase levara uma surra. ela chegou. apertei seu corpo ao meu. ela prolongou o aperto. eu estava feliz e esquecera o imbecil cara de jesus. infelizmente papel não recusa palavras. o mundo está cheio de merdas que se autodenominam poetas. uns boçais com discurso bonito para as meninas caras de cú enraivados e abandonados. elas adoram merda no papel e copiam frases e repetem por aí. eu estava ali com uma garota de 23 anos gostosa bonita que cheira a mulher que gostava. o mundo agora era uma merda boa e confortante. ela falou de seu namorado. de seus projetos e acertamos fazer juntos uma peça do bergaman. cenas de um casamento sueco. eu com 47 anos casado e fiel. no palco com ela meu pensamento poderia ser mais ousado mais ousado ainda. lembrei de maria branco uma grande amiga e voltei a me ocupar da bela mulher que eu ao meu modo gostava muito. eu sou fiel e casado com uma bela mulher senão. nem quis pensar o que ela achava de mim. vai me complicar. tomamos um café. o meu sem açúcar. depois outro e outro. o cara de bosta de político e de jesus disse de lá da sua mesa para mim. vc já foi visitar senhor X. eu nada falei e tive que explicar todo o acontecimento para rita. fiquei zangado de novo. senhor X um reles poeta medíocre estava morrendo que morra mas eu respeito a morte não tenho piedade nem pra babacas. não iria lá e dizer. aí senhor X morra porra. ficava de longe e nem pensava na porra da morte dele. voltei a bukowski. falei de melodia de agosto e de um grande poeta que eu descobrira, o luciano fraga, e fiquei feliz de novo. ela me deu um presente o livro de bergaman e um beijo. eu estava nas nuvens. babacas podem existir à vontade. como é bom estar na merda desse mundo. o cara de jesus foi embora. o cheiro do lugar melhorou e o cheiro de rita a jovem atriz inteligente e gostosa dominou meu nariz e todo o meu existir eu era a porra de um homen safado. hein buk. sabemos viver. decidimos ir visitar senhor K um poeta de verdade. um cara que dava um duro danado pra pagar as contas. não entregava os pontos. um poeta que escrevia a melodia das ruas. do submundo de toda a sinceridade da merda do viver e tinha beleza e ritmo. ele desloca a bobagem do significado a sua poesia cheira a vida. garra e coragem. senhor K é casado com uma grande poetisa e contista de qualidade acima da média. eu adoro ler senhora M. ele demorou e chegou baforido é assim com o senhor K ele sempre chega baforido. chegou esbravejando e pregando o voto nulo. é isso aí senhor K bata forte nesses canalhas de esquerda e direita. parasitas e sugadores da vida. a morte é o que eles amam a morte e a doença. eu gosto da porra da vida. uma boa merda. eu gosto. a vida com tudo o que tem de perigoso e de merda e de bom. eu sou um forte. um cara de escorpião. rita me levou e esperou o meu ônibus chegar. fui pra casa e no ônibus pensei em kerouac um viajante nem sempre solitario. em nietzsche muita além do bem e do mal. foucault e sua vontade de saber. em heráclito e sua capacidade fenomenal. em bergman e sua maldita mãe. em zinaldo e sua música que eu adorei ouvir em alice. em pablo um médico que sabia das coisas e no bom e surpreendente poeta luciano fraga. no bom poema de patrícia mendes e no meu especial amigo nelson magalhães. nos meus filhos na minha bela mulher. em uma boa música clássica e no meu sobrinho caio um músico para ouvidos refinados.pensei e pensei que eu não estava morrendo. era somente a confirmação de que nos meus infernos preferidos cruz das almas e salvador existiam além das desgraças que se intitulam poetas, professor de filosofia e outras bostas de político. existia gente que me dizia. ronaldo viver é bom. a merda do mundo cheira a merda e a vida que bom. eu sou um cara de escorpião e amigo de lakarus sei descobrir um bom sorriso em um cú. eu não sou a porra de um homem oco e nem empalhado. eu tenho o que ler, amigos para uma conversa e os porras empalhados que se fodam ou não. cheguei em casa e beijei minha linda mulher. o mundo pode ser uma grande merda mas essa mulher é minha.

conto oferecido a buk e a nelson magalhães.
ronaldo braga.

3 comentários:

anjobaldio disse...

Muito sucesso neste seu novo blog, abraços e vida longa.

ronaldo braga disse...

bom vc ter acessado o blog.aqui de salvador que é o meu segundo inferno preferido, o primeiro é cruz sem almas, eu observo os movimentos das quadrilhas culturais decruz das almas city blus.

Nelson Magalhães Filho disse...

O cara de escorpião sempre na espreita, esperando a noite se derramar nas velhas árvores da praça da matriz: velhos tempos infindos. Grande abraço.